quarta-feira, março 18, 2015

Você é uma pessoa controladora?



Ter uma vida organizada é algo que muitos de nós almejam, porém poucos conseguem. Isso acontece porque é preciso ter disciplina, uma mente analítica, boa vontade e persistência, o que nem sempre é fácil, desejável ou agradável.
Quem tem a capacidade de organizar a rotina consegue realizar muitas coisas e assumir diversas responsabilidades. Porém, quando controlar se torna o centro da vida e a única realidade, essa pessoa pode simplesmente perder de vista o essencial e, assim, sofrer uma série de malefícios, incluindo crises de ansiedade, doenças e até rompimentos afetivos.
Veja abaixo algumas características que podem sugerir que uma pessoa é controladora.
  • 1
    Invasão de privacidade - se não confiamos no outro, iremos querer controlá-lo. Para isso funcionar, teremos que obter o máximo de informações possíveis, levando-nos a ações pouco éticas, como invadir contas de email ou de redes sociais, bisbilhotar carteiras e telemóveis, ou ainda especular com conhecidos. Este tipo de atitude pode não ser descoberta, mas com certeza semeia a discórdia e cria um abismo entre você e a pessoa vigiada, pois a sua desconfiança modifica o seu comportamento e a entrega ao relacionamento não é a mesma. Fora as brigas que acontecem apenas por causa de suas impressões e não devido a fatos reais.
  • 2
    Falta de limites - se achamos que temos o direito de controlador o outro, podemos muitas vezes tomar decisões à revelia dele ou contar sobre a sua vida íntima, sem pensar nas consequências emocionais para a pessoa envolvida.
  • 3
    Sentimento de omnipotência - quando temos muita eficiência, podemos propagar a falsa ideia de que somos insubstituíveis. Assim, acreditamos que somos "donos da verdade", não aceitando ideias nem sugestões alheias, por melhores que sejam. Além disso, existe a tendência de passar literalmente a mandar nos outros, exigindo que façam e vivam como nossa imagem e semelhança.
  • 4
    Medo da novidade - se gostamos de controlar, isso significa que as coisas devem sempre acontecer de determinada forma, a rotina precisa permanecer, imprevistos não podem surgir. Porém, a vida não é um programa de computador (e mesmo este muitas vezes prega-nos partidas!). O fato é que se algo, fora de nosso planeamento aparece, perdemos o equilíbrio, ficamos nervosos, tensos, lutamos contra ao invés de simplesmente lidar com a questão e nos adaptarmos.
  • 5
    Sobrecarregamento - se partimos do pressuposto de que as pessoas não são confiáveis ou não irão fazer as coisas certas (leia-se "do nosso jeito"), a tendência é acumularmos cada vez mais funções, tarefas, atividades e responsabilidades, ficando exaustos e insatisfeitos. Afinal, acabamos por não conseguir relaxar, nem nos divertirmos, pois sempre haverá sempre algo para ser feito, analisado, supervisionado, acompanhado. Nestas horas, aprender a delegar é uma atitude salvadora.
Se reconheceu em algum desses itens? Veja algumas dicas para usar apenas o lado bom do controle:
  • Humildade - lembre-se que o mundo não gira à sua volta, assim, nem tudo depende de si e, errar é normal e esperado, não significando que você sejo menos por causa disso.
  • Liberdade - deixe as pessoas expressarem-se livremente. Você só vai descobrir se alguém realmente é bom o deixar mosstrar  do que é capaz. Se você tomar sempre a dianteira, nunca será surpreendido.
  • Paz de espírito - faça Meditação, relaxamento, Yoga, Tai Chi Chuan, tome florais, faça terapia, tire férias, fique em contato com a natureza. O importante é ter calma e tranquilidade, pois suas ações serão mais certeiras e você sofrerá menos.
  • Diversifique - não resuma sua vida a atividades úteis. Coloque cor, alegria e diversão nela, fazendo outras coisas, inclusive aquelas que não vão levá-lo a lugar nenhum, mas que lhe trarão mais satisfação pessoal.

Fonte: Vanessa Mazza, personare
Dr. Fernando Mesquita
Terapia Sexual e Psicologia Clínica
Psicronos - Lisboa

segunda-feira, março 16, 2015

Videos de sessões de psicoterapia

Estes são dois vídeos que ilustram a estruturação e funcionamento diferente da psicoterapia consoante diferentes modelos teórico-práticos. Tratam-se de psicoterapias breves empiricamente validadas.

São ilustrações relativamente fiéis ao trabalho clínico na psicoterapia sobretudo no contexto específico das perturbações borderline (ou limite) de personalidade. As psicopatologias borderline são marcadas sobretudo por relacionamentos instáveis caracterizados pela grande necessidade de disponibilidade das outras pessoas (nomeadamente dos companheiros ou companheiros) e uma enorme reatividade às separações ou à indisponibilidade destas figuras que servem funções externas de apoio e organização interna da própria pessoa. São relações marcadas por amor e ódio, ainda que esse ódio por vezes possa ser canalizado para outras relações e pessoas de modo a proteger a relação principal de apoio.

Outras marcas das perturbações borderline de personalidade são os sentimentos profundos de desespero e desamparo quando fora das relações ou quando a figura principal está indisponível ou ausente. Também são característica destas perturbações a pouca tolerância à frustração, sérios problemas na integração da imagem de si e dos outros, problemas na regulação das emoções e dos impulsos e falha da capacidade reflexiva. As dinâmicas relacionais são muito marcadas pelo "nem contigo, nem sem ti" e a sensibilidade ao abandono é invulgarmente elevada. As passagens ao ato constantes, auto-destrutividade e tentativas de suicído são também frequentes nos casos mais graves.

As sessões seguintes decorrem em auditório, sendo conduzidas pelos terapêutas mais influentes nas diversas modalidades psicoterapeuticas que praticam. No lugar do paciente está uma atriz que encena fielmente o papel de uma paciente que sofre de uma perturbação de personalidade borderline.

TFP (Transference Focused Psychotherapy)
Uma adaptação a partir da psicoterapia psicanalítica, com foco no trabalho sobre a transferência (atribuição aos outros de representações internas do "Eu" e do "Outro" e o desenrolar com esses outros de determinadas dinâmicas relacionais "internalizadas" ligadas a essas representações ou representações parciais)


MBT (Mentalization Based Therapy)
Uma adaptação a partir da psicoterapia psicanalítica com base na investigação do desenvolvimento psicológico, perspetivas evolutivas, neurociências e psicologia cognitiva.


sexta-feira, março 13, 2015

A Eficácia Científica da Psicoterapia Psicanalítica







Uma meta-análise de rigor científico publicada em 2010 - e disponível no website da American Psychological Association - demonstra que a psicoterapia psicanalítica é altamente eficaz para um espetro amplo de sintomas de ligados à saúde mental, incluindo depressão, ansiedade, pânico e condições físicas ligadas ao stress. Os valores médios para a eficácia situam-se maioritariamente acima dos 0.80 - valor considerado como "efeito grande" do ponto de vista da pesquisa científica psicológica e médica.

O estudo valida como no caso da psicoterapia psicanalítica os benefícios não só são duradouros como continuam a surgir e a crescer mesmo depois do fim da psicoterapia. Tal deve-se ao facto da psicoterapia psicanalítica colocar em movimento processos psicológicos que conduzem à mudança contínua, que se mantêm mesmo após o fim da terapia. Para outras psicoterapias "empiricamente apoiadas" parece verificar-se uma tendência oposta, de diminuição dos benefícios ao longo do tempo, nomeadamente para os problemas mais comuns como depressão e ansiedade generalizada.

Sobre a eficácia das novas psicoterapias em detrimento da psicoterapia psicanalítica, os dados científicos parecem não apoiar esta realidade. Neste estudo vários modelos de psicoterapia são comparados entre si, lado a lado com as terapias por antidepressivos, as quais se mostram pouco eficazes de uma forma geral.

Ainda que contextualizado no panorama social dos EUA, o estudo alega que reduzir o sofrimento mental a uma lista de sintomas e a um tratamento que implique gerir esses sintomas e pouco mais, está em linha dos interesses financeiros das empresas farmacêuticas e companhias de seguros. O autor diz ainda que para algumas perturbações psiquiátricas tal faz de facto sentido, contudo o sofrimento emocional está frequentemente fundido com a vida da pessoa e enraizado em padrões relacionais, contradições internas e pontos cegos emocionais. E são estas áreas que a psicoterapia psicanalítica foca particularmente.

O autor conclui que mais importante que o nome ou marca de uma psicoterapia é o que o psicoterapeuta faz em sessão, e que aqueles terapeutas que mais se aproximavam de um "agir" psicanalítico eram os que melhores resultados conseguiam junto aos seus pacientes, independentemente do tipo de psicoterapia praticada.

O objetivo da psicoterapia psicanalítica não é somente o alívio de sintomas mas ajudar a viver uma vida mais satisfatória no geral.



Página da APA - American Psychological Association - para o artigo original:
http://www.apa.org/news/press/releases/2010/01/psychodynamic-therapy.aspx

quarta-feira, março 11, 2015

||Perturbações de Personalidade|| - Personalidade Dependente


As pessoas que sofrem de dependência caracterológica definem-se sobretudo em relação aos outros e procuram segurança e satisfação predominantemente em contextos interpessoais - "Sou a esposa do Luís, e estou bem quando as coisas estão bem com ele.". Os sintomas psicológicos podem surgir quando algo falha numa relação primária.

A procura de tratamento tende a surgir no meio da vida ou mais tarde, após a morte do(a)
companheiro(a) ou divórcio.

Apesar de aparentemente as mulheres serem mais propensas à dependência patológica, tal pode dever-se simplesmente a uma maior facilidade por parte das mulheres para reconhecer a dependência.

Alguns estudos situam as origens desta patologia em cuidados parentais de sobreproteção ou autoritaristas, um processo de socialização ligado ao desempenho de papéis de género pré-determinados e/ou a atitudes culturais relacionadas com a orientação para o sucesso versus a orientação para as relações.

São pessoas que se sentem ineficazes quando estão por conta própria e tendem a considerar os outros poderosos e eficazes.

Tipicamente a vida das pessoas com uma perturbação dependente de personalidade é organizada com vista à manutenção de relações de cuidados e de apoio (emocional, financeiro, parental, académico, profissional, identitário, etc.) nas quais elas são submissas. Quando conseguem desenvolver este tipo de relações tendem a sentir-se satisfeitas, ao passo que quando não o conseguem vivem um transtorno agudo.

As preocupações emocionais destas pessoas envolvem frequentemente ansiedade de desempenho e medo de serem criticadas e abandonadas.

Preocupação/tensão central: Manter/perder a relação
Afetos centrais: Prazer quando vinculado(a) de forma segura; tristeza e medo quando sozinho(a)
Crença patogénica característica sobre si próprio(a): Sou inadequado(a), preciso de ajuda alheia, sou impotente
Crença patogénica sobre os outros: Os outros são poderosos e preciso do cuidado deles.

Fonte: PDM - Psychodynamic Diagnostic Manual

segunda-feira, março 09, 2015

O que dizer e o que NÃO dizer a alguém que sofre de depressão




Tu és importante
O que dizer: Tu és importante para mim.
O que NÃO dizer: Nunca ninguém disse que a vida era justa.

Deixa-me ajudar
O que dizer: Queres um abraço?
O que NÃO dizer: Pára de ter pena de ti.

A depressão é real
O que dizer: Não estás a ficar louco(a).
O que NÃO dizer: Portanto estás deprimido(a). Não estás sempre?

Há esperança
O que dizer: Não estamos neste mundo para andar a sondar o mal uns dos outros, mas para vermo-nos uns aos outros a chegar onde queremos e achamos que merecemos.
O que NÃO dizer: Tenta não estar tão deprimido(a).

Podes ultrapassar isto
O que dizer:  Quando tudo isto terminar, vou continuar a estar aqui e tu também.
O que NÃO dizer: A culpa é tua.

Vou fazer o melhor possível para entender
O que dizer: Não consigo entender o que estas a sentir, mas posso oferecer-te a minha compaixão.
O que NÃO dizer: Acredita em mim, sei como te sentes. Uma vez estive deprimido(a) durante vários dias.

Não me vais afastar de ti
O que dizer: Não te vou deixar ou abandonar-te.
O que NÃO dizer: Acho que a tua depressão é uma forma de nos castigares.

Gosto de ti e preocupo-me contigo
O que dizer: Amo-te. (Dize-lo apenas se for sentido.)
O que NÃO dizer: Ainda não te fartaste disso do "eu, eu, eu" ?

Vamos ultrapassar isto juntos
O que dizer: Sei que estás num grande sofrimento. Não te vou deixar. Vou cuidar de mim próprio(a), para que não precises de te preocupar que a tua dor possa magoar-me.
O que NÃO dizer: Já experimentaste chá de camomila?


Fonte: http://www.cbsnews.com/pictures/10-things-not-to-say-to-someone-whos-depressed/7/

sexta-feira, março 06, 2015

O que sempre soube das mulheres...


... MAS TIVE À MESMA DE PERGUNTAR

Tratam-nos mal, mas querem que as tra­temos bem.

Apai­xonam-se por se­rial-kil­lers e de­pois queixam-se de que nem um pos­ta­linho. 

Es­crevem que se de­su­nham. 

Fingem acre­ditar nas nossas men­tiras desde que te­nhamos graça a pregá-las. 

Aceitam-nos e to­leram-nos porque se acham su­pe­ri­ores. São su­pe­ri­ores. 

Não têm o gene da violência, em­bora seja me­lhor não as pro­vo­carmos. 

Per­doam fa­cil­mente, mas nunca es­quecem. 

Bebem ci­cuta ao pe­queno-almoço e des­tilam mel ao jantar. 

Têm uma ca­pa­ci­dade de en­trega que até dói. São óptimas mães até que os fi­lhos fazem 10 anos, de­pois perdem o norte. 

Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já de­pende. Têm dias. Têm noites. 

Con­se­guem ser tão cal­cu­listas e mal­dosas como qual­quer homem, só que com muito mais nível.

In­ven­taram o telemóvel ao vo­lante. 

São co­ra­josas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. 

Fazem-se de parvas porque o se­guro morreu de velho e estão muito es­cal­dadas. 

Fazem-se de ino­centes e (mi­lagre!) por esse acto de von­tade tornam-se mesmo ino­centes. 

Nunca perdem a ca­pa­ci­dade de se des­lum­brarem. 

Riem quando estão tristes, choram quando estão fe­lizes. 

Não com­pre­endem nada. Com­pre­endem tudo. 

Sabem que o corpo é pas­sa­geiro. Sabem que na vi­agem há que tratar bem o pas­sa­geiro e que o amor é um bom fio con­dutor. 

Não são de con­fiança, mas até a mais in­fiel das mu­lheres é mais leal que o mais fiel dos ho­mens.

São tra­madas. Comem-nos as papas na cabeça, mas de­pois levam-nos a co­lher à boca. 

A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jan­ta­rada de amigos – elas quando jogam é para ga­nhar. 

E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. 



Acre­ditam no Amor com A grande mas, 
para nossa sorte, 
con­tentam-se com pouco.



Autor: Rui Zink
 
Dr. Fernando Mesquita
Terapia Sexual e Psicologia Clínica
Psicronos - Lisboa