sábado, agosto 31, 2013
O SPRAY NASAL DO AMOR
sexta-feira, agosto 23, 2013
domingo, agosto 18, 2013
Somos humanos, logo criamos
As pinturas pré-históricas são fascinantes. A de cima é de uma cave no Chad e esta outra de uma gruta em Altamira (Espanha).
O que terá levado os homens do paleolítico, certamente preocupados 24h em 24h com a sobrevivência, a "perder" horas e horas a pintar as paredes e os tectos das grutas? Preocupações religiosas, efeito de drogas alucinogénicas? (ler o livro "Cave Paintings and the Human Spirit: The Origin of Creativity and Belief" de David Whitley).
E quem pintava? Homens? Mulheres também? Crianças? Quem fazia aquelas maravihosas tintas? A produção no paleolítico é tão intensa que duvido que a pintura estivesse apenas restringida a uma espécie de pessoas (sacerdotes). Gosto de pensar que todos podiam pintar, como outros faziam estatuetas ou escultura.
E pintariam porquê? Eu acho que por duas razões: porque somos humanos e porque é terapêutico. Ou seja, a arte faz parte do nosso pacote mental. Infelizmente, muitos esquecem-se disso e pensam que é coisa de crinças ou de artistas. Artistas somos todos nós, somos todos criativos.
Só que por vezes não sabemos. Os deprimidos, sobretudo, têm aquela tendência para nem sequer tentar. Dão desculpas absurdas, como: "disseram-me em pequeno que não tinha jeito". Eu podia dizer aqui que a culpa foi de um ou outro professor, que também foi (aconteceu comigo). Mas a culpa também é nossa, que abdicamos deste nosso mais elementar direito como seres humanos, que até os homens das cavernas usavam: o da expressão. O de criar.
Hoje há tantas formas artísticas. Pintar, modelar, desenhar, esculpir, fotografar, filmar, escrever, compor, dançar, cantar, recitar, fazer artesanato, tricot, bordar, teatro, cinema...
As novas tecnologias ajudam muito. Como já ajudaram no tempo das cavernas.
E depois, é extremamente terapêutico. Faz bem à mente e ao corpo. Tem um efeito anti-depressivo, facilita a comunicação, defende-nos do isolamento, torna-nos mais humanos. Aposto que era, também por isso, que o homem das cavernas pintava furiosamente.
Se têm dúvidas, leiam os conselhos de Marta Beck, que tem ido ao show da Oprah e que é facil de encontrar na net.
Não abdiquem de serem humanos. Era o que alguns gostariam, mas não podemos deixar. Somos humanos, logo criamos.
sexta-feira, agosto 16, 2013
Neuroscience and psychology - um podcast interessante sobre alucinação
https://soundcloud.com/ruchone/mind-the-brain-podcast-1
segunda-feira, agosto 12, 2013
Não basta saber, é preciso saber comunicar
Este pequeno video do Dr. Dan Seigel sugere a utilização da mão para representar o cérebro e a forma como podemos regredir ao tal cérebro do lagarto, o sistema límbico (ver meu post sobre as tribos). Genial do ponto de vista comunicacional!
http://www.youtube.com/watch?v=DD-lfP1FBFk
sexta-feira, agosto 09, 2013
"Não tens razões para estar triste!"
Desde já, encerra uma contradição em si mesma: como pode algo existir sem causas prévias que lhe deram origem? Neste caso, se existe tristeza a questão não é saber se existem razões ou não para a sua existência, mas quais são, de onde vêm.
Nestes casos, será então importante enfrentar os sentimentos penosos e tentar perceber o seu aparecimento e proveniência. Em processos psicoterapeuticos assiste-se, não raras vezes, a casos onde é precisamente quando tudo está bem (no exterior) que tudo fica mal (no interior). Numa situação de transbordo emocional que pode durar anos e anos nos piores casos, é como se a pessoa tivesse suspendido a respiração, limitando-se a sobreviver no modo "piloto automático".
Mais tarde, alcançada a segurança de uma situação onde aparentemente tudo está bem, pode a pessoa voltar a "respirar". Nestes casos, o voltar a respirar significa um abaixamento das defesas psicológicas que permite que memórias problemáticas do passado emerjam reclamando uma "digestão emocional" que até então não fora possível.
O homem tribal em nós
Nos velhos tempos, quando vivíamos em cavernas e nos encostávamos uns aos outros à procura de calor, atentos ao menor ruído que indicasse a presença de um predador, a sobrevivência dependia de quão rapidamente os indivíduos passavam ao modo de "ataque ou fuga".
Aquilo a que hoje chamamos stress era um mecanismo precioso. O sangue afluía aos músculos permitindo a corrida, a respiração acelerava permitindo uma maior oxigenação, a força nos braços e as pernas aumentava. Imagino que ninguém se queixasse de stress - era essencial à vida.
Nesse tempo, o funcionamento tribal era também essencial, assim como o princípio "ou nós ou eles". As tribos guerreavam-se, roubavam as fémeas, os inimigos chegavam a ser devorados.
Quando terá começado a cooperação entre grupos distintos? Sabemos que os chimpazés cooperam em determinadas circunstâncias. É possível que tivéssemos percebido muito cedo as vantagens da cooperação. Mas às vezes o primitivo vem ao de cima e parece que nos esquecemos. Vezes demais.
O esquema "se não pertences à minha tribo és meu inimigo" é pouco propício ao raciocínio, ao pensamento, ao trabalho inteligente. Limita-nos e arrasta-nos séculos para trás. Alguém quer parecer um neardantal ou mesmo um homo habilis?