
Também os especialistas portugueses aplaudiram a medida pensando ser esta uma ajuda às jovens que sofrem de disturbios alimentares.
E porque se implementou esta medida, e porquê o IMC 18? Quais as motivações?
Em primeiro lugar porque na Europa o IMC considerado normal situa-se entre os 20 e os 23. A partir de 25 é excesso de peso, mais de 30 é obesidade. Abaixo dos 16 revela algum risco de vida. Desta forma, percebe-se o porquê dos 18.
O porquê desta medida e quais as motivações, parece-me que se prende com o facto do aumento das perturbações alimentares nas adolescentes, e pela sua dificuldade em "identificar as armadilhas do consumo" como nos diz o Pedro. Em Portugal estima-se que uma em cada 250 raparigas entre os 10 e os 17 anos sejam vítimas dos ideais de beleza e pretendam adquirir um "corpo naturalmente esbelto como o de uma gazela" - Cathy Gould, Elite.
Os traços de personalidade dos adolescentes contribuem para o despoletar da doença, assim como a diminuição da ingestão de alimento, que leva ao aumento da hormona Cortisol que, por sua vez conduz ao aumento do stress e da depressão. Depressão essa que está sempre associada, umas vezes mais mascarada, outras vezes mais à superfície. Nesta doença existe um forte desfasamento entre o desenvolvimento intelectual e emocional, com investimento muito grande a nível intelectual.
Estas jovens mantêm grandes fantasias à volta do corpo e da comida, numa forte clivagem com a realidade, utilizando a negação como o mecanismo de defesa primordial.
Para elas a única coisa que faz sentido na vida é controlar a fome, ocupando desta forma, a vida psíquica com comida e valores calóricos.
Há uma relação patológica com o corpo, um processo psicológico muito complexo que se reflecte na imagem, uma vida afectiva extremamente pobre, fazendo com que apenas se sintam fortes ao negarem a comida, aliás a única coisa que controlam.
Este tipo de perturbação segue um padrão normal, mas a patologia associada é variada, enquadrando-se sempre com a história pessoal. Por isso é que se requer sempre uma intervenção muitidisciplinar, pois não interessa apenas controlar o peso e readquirir um IMC normal, mas igualmente um acompanhamento psicológico prolongado, como forma de diminuir o sofrimento destas adolescentes e permitir que não hajam recaídas, quando já estão em recuperação e com um peso normal.
Mas nesta fase existe novamente um controlo apertado do IMC, isto porque o desenvolvimento da doença pode levar a que uma anoréctica se transforme em bulímica e em casos extremos em obesa. Não será este o antagonismo da doença, os limites a que somos alvo, as imposições a que estamos sujeitos?
Não terão sido estas as motivações para a implementação de uma medida restritiva e discriminatória nas passerelles espanholas, ou por outro lado uma medida inteligente aludindo ao facto de que comportamento gera comportamento, e mais uma vez referindo o post do Pedro, uma mudança de comportamento...