terça-feira, janeiro 30, 2007

Pânico e Fobia


Definições e Reflexões!

Ao consultar um antigo dicionário de psicologia encontrei a seguinte definição de Pânico: ”Medo terrível, quase sempre acompanhado de comportamento irreflectido ou desatinado.” Não aprofunda muito pois não?

Mas vamos ver no mesmo dicionário a definição de Fobia: “Medo forte, persistente e irracional provocado por um estimulo ou situação especifica.” Começa-me a parecer que a raiz destes conceitos é o medo… vamos investigar:

“Medo, Uma reacção emocional forte envolvendo sensações subjectivas de desagrado, agitação e desejo de fugir ou de se esconder, acompanhado por um aumento de actividade do sistema simpático. O medo é uma reacção a um perigo específico presente; a ansiedade a um perigo antecipado; a fobia é um medo irracional persistente.”

As definições presentes são mais abrangentes e focam mais as questões das limitações à nossa vida quotidiana. Ou seja, ter fobia a ratos, pode não levar um sujeito a procurar ajuda, visto que não se vê confrontado com a situação muitas vezes, no entanto, um sujeito que sente um forte desconforto em locais fechados e sem ventilação mais rapidamente irá procurar ajuda.

Mas no fundo, o medo não é da situação em si, o medo é de perder o controlo, de enlouquecer, de desmaiar ou de morrer na situação. Posso dizer que a preocupação com a morte é desnecessária visto que, pode acontecer a qualquer momento sem qualquer aviso e vai acontecer de certeza. Também posso dizer, se vivermos o tempo suficiente também corremos o risco de entrar num processo de demência, portanto a loucura apesar de não ser uma certeza é uma forte possibilidade.

Resta saber se perdemos o controlo assim com tanta facilidade… numa situação fóbica não perdemos o nosso controlo… o que acontece é na maioria das vezes saímos da situação antes que de ter as boas notícias de a ter superado sem morrer, enlouquecer ou perder o controlo. É por este motivo que as técnicas comportamentalistas de imersão acabavam por funcionar, mas o sofrimento causado aos pacientes era demasiado e colocava questões éticas sérias. E como tal, já não se usa!

Em jeito de resumo segue o meu conselho a quem começa a desenvolver uma fobia: “fique para ver o que acontece, e racionalize, vai ver que sobrevive!”

Se não conseguir ficar, procure ajuda.
Se por acaso morreu… não se envergonhe, todos nós iremos passar por isso!

11 comentários:

Unknown disse...

quote: a definição de Fobia: “Medo forte, persistente e irracional provocado por um estimulo ou situação especifica.”

É disto é q eu tenho muito medo, de desenvolver uma fobia. Porque as coisas que realmente tenho "fobia" sao as que desconheço ou n sinto. =)

Igor Lobão disse...

Olá.

O seu artigo é interessante, seja pela forma forma como pega no tema, seja pelo seu estilo arejado de escrito.

Contudo permita-me fazer-lhe uma sugestão.

A menos que o Pedro tenho tido sintomas fóbicos, pode eventualmente ser problemático afirmar que "numa situação fóbica não perdemos o nosso controlo…". E mesmo assim, temos de salvaguardar que cada caso é um caso.

Parece-me que uma das características principais da fobia é essa perda de controlo.

Por isso, quando o Pedro afirma "fique para ver o que acontece, e racionalize, vai ver que sobrevive!", parece não ter em conta que os momentos antecedentes do "ataque fóbico" são momentos de racionalização. O sujeito repete para si próprio tudo o que o "Outro" já lhe disse, conselhos, interpretações, rituais, etc. Mas perde o controle... e sobrevive.

A minha sugestão é - pegue, não no racional, mas no que de irracional existe nessa falta de controle, porque a esse irracional preside uma lógica. A opção, por mais de "irracional" que possa parecer para alguns (talvez sejam necessários meios adquados ao problema em questão), não é calar esse irracional com racionalizações, medicamentos ou tratamentos comportamentais, mas ouvir ruído desse sintoma, num primeiro tempo, para que daí que daí se reconheça um dizer, num segundo tempo. É esse dizer que temos que ouvir e não recalcar, pois ele retorna e insiste sempre que se o tenta calar, como nos ensina Freud.

Faço-lhe essa sugestão. Acolha o sintoma para ouvir a sua verdade. Quanto a mim será uma bela proposta para alguém que trabalha no mundo psi.

Isto porque, parece-me que, sem dúvidas, foi desde que o homem se pôs a racionalizar que fez funcionar o "sintoma", pois perdeu contacto com uma parte de si... uma parte de si que tentar encontrar nessa racionalização, contudo não consegue. Caso contrário, não teria que ser forçado a racionalizar e ver toda a sua construção racional ser subjugada por um momento de descontrole irracional.

Fica também o meu convite aos membros do "Salpicos" para visitarem o meu novo blog "Páginas do Inconsciente" http://www.paginasdoinconsciente.blogspot.com/.

Igor Lobão

Pedro Correia Santos disse...

Olá Igor!

Sem dúvida que cada caso é um caso, no entanto, o sentido de numa situação fóbica (não perdemos o nosso controlo), é de reter-mos na memória o que aconteceu e tudo o que acontece é fruto da nossa acção. Claro está que nestas alturas a nossa acção está condicionada por um série de crenças irracionais que limitam em grande parte a nossa acção. O enfoque vai para a pessoa na situação é “uma ilha” não há interferências do exterior a controlar as nossas acções. Ou seja, responsabilização e locus de controlo no sujeito.

Claro que assumo que o modo como o texto está escrito é “diferente” e é suposto dar azo a várias opiniões!!! É essa a intenção!

Quando eu escrevo para a pessoa racionalizar, é para se distanciar da situação e pensa-la de um modo frio… “racional” porque numa primeira instância o que prevalece são pensamentos distorcidos fruto de “crenças irracionais”. Esses, os de primeira instância que fazem o “ruído” do sintoma tem que ser identificados e desmontados na sua totalidade. É ir para o cognitivo ao mesmo tempo que se caminha no comportamental… Claro que o texto está “radicalmente” comportamental!
Por isso é que determinadas técnicas actualmente não são usadas. Devido ao seu desconforto e ineficácia a longo prazo.

Irei adicionar o seu blog aos meus favoritos… afinal quem fala assim não é gago!!!

Igor Lobão disse...

Olá Pedro.

Constato que a conceptualização do sintoma que cada um de nós possui, talvez em parte devido às nossas filiações teóricas, são diferentes.

Se bem percebi, para si a racionalização tem um papel importante na desmontagem, como diz, do sintoma.

A minha direcção, que é a que subjaz ao meu trabalho clínico, é que o sintoma tem um dizer, é portador de uma verdade sobre um impasse do sujeito. Na sua essencialidade, ele é uma interrogação do sujeito sobre ele próprio, uma interrogação que ele não consente que se constitua como tal, retornando no sintoma.

A direcção do trabalho sobre o sintoma, como eu a vejo, não será tanto desmontá-lo, mas permitir ao sujeito, a partir do sintoma, levar a interrogação sobre si mesmo o mais longe possível, possibilitar-lhe que ele ouça no interior do seu dizer o dizer do sintoma. São nestes momentos que surgem o "desarme" do sintoma, o momento em que o sujeito percebe o que o vincúla no sintoma.

É por isso que a direcção da especificidade do meu trabalho reside também num trabalho que vai pelo avesso da racionalização.

A Razão, como saberá, é um tema muito debatido ao longo do trajecto histórico da filosofia. A questão que me ponho sobre a razão, ao olhar para essa história, será: será que ela reduplica o Real no plano simbólico, ou na verdade ela é mais da ordem de um delirio lógico? (Vejamos as racionalizações dos obsessivos com os seus rituais matemáticos, ou dos paranóicos, imunes à incerteza)

O que é que falha na Razão para termos crenças irracionais, para ao fim de tantos séculos a tentar racionalizar sobre a própria Razão e sobre a Felicidade ainda não a tenhamos conseguido atingir o patamar racional onde sejamos, finalmente, felizes?
O que é que leva, por exemplo, um povo profundamente racional como os alemães, com filósofos como Kant ou Heidegger, a mergulharem no irracional do Holocausto? Perguntas que ficam no ar.

Isto para tentar ilustrar-lhe que por mais racionais que tentemos ser, temos que tentar perceber, por um lado, o que perseguimos (ou tentamos ocultar) com as nossas racionalizações, e por outro lado, que o nosso lado racional não consegue abarcar a totalidade do ser. Sobra sempre um "resto", um resto que foge à frente da racionalização sem que esta o consiga apanhar, um resto que retorna, faz sintoma e provoca angústia sem sabermos qual a sua origem.

Ou seja, quando digo que a posição do meu trabalho assenta no avesso da racionalização, é porque visa um além da racionalização, que lhe é, diga-se, inacessível; visa esse "resto" fugidio onde Freud situou o inconsciente.

Ficarei por aqui neste post, visto que estas questões são questões teóricas e práticas muito interessantes, mas podem não ser muito adequadas para este âmbito de troca de opiniões dos blogs.

Igor

Pedro Correia Santos disse...

Viva Igor!

Ao ler o seu último comentário verifico que os nomes apesar de serem os mesmos tem significados diferentes. Sem dúvida devido às correntes seguidas!

Também concordo consigo quando diz"visto que estas questões são questões teóricas e práticas muito interessantes, mas podem não ser muito adequadas para este âmbito de troca de opiniões dos blogs"

A minha intensão é fazer os sujeitos pensar, e não iniciar debates entre profissionais do ramo!

Um abraço e até breve.

Unknown disse...

...o "medo" de morrer num ataque de pânico pode não existir e ser, na mesma um ataque de pânico
...uma fobia é mais dificil de tratar e de "combater"... aí é possivel racionalizar e debelar o medo com o tempo
...aracnofobia, algo muito vulgar, foi uma experiência muito enriquecedora quando tive (por razões que não vem ao caso) de "conviver" com elas até ao momento em que interiorizei que a presença das aranhas era um facto do qual eu não me podia alhear e contra o qual eu não podia lutar; daí que, a solução racionalizada foi de me habituar a elas e fazer delas uma presença no meu mundo
...um ataque de pânico (que se traduz basicamente como um medo irracional de morte aparente)-(eu diria premente e presente, essa sensação é real, é física - a parte física tem reações) pode não ser racionalizado e apenas "desaparece" quando a razão que o provoca desaparece também (o xanax é o único quimico que combate este "mal"...)
...ou seja:...uma claustrofobia (por exemplo, ter medo de andar de elevador, é fácil combater: vamos pelas escadas, por exemplo; no entanto, se racionalizarmos, seremos capazes de andar de elevador e se dermos um gritinho ou tivermos medo, o medo da morte que caracteriza o ataque de pânico não se verificará... ao sair do elevador, o medo desaparece e respiramos fundo
...o ataque de pânico não pode ser resolvido com a racionalização; é preciso que desapareça a causa que o provoca... de notar que, enquanto uma fobia se verifica face a determinado elemento (por isso é que existem muitas etcrofobias...), um ataque de pânico tanto pode acontecer aqui como ali com isto ou com aquilo; até pode ser desencadeado com uma fobia, mas o medo eminente da morte (porque não, iminente?...) está lá... a sensação de que vamos morrer existe, é real e não pode ser racionalizada porque a morte existe mesmo!...
...ou seja: numa fobia eu sei que o elevador é pequeno, que me vou sentir mal, mas não tenho a sensação de que vou morrer; no ataque de pânico eu tenho a sensação de que vou morrer
...e "isto" faz toda a diferença
...não sou psi nem nunca andei em psis, mas sei o que são fobias e ataques de pânico
...mas também soube resolver esses problemas: as fobias, racionalizando: os ataques de pânico, quando a razão que o provocava, acabou

Pedro Correia Santos disse...

Falta apenas saber a causa que desapareceu...

Se for confortável para si dizer claro!

Gosto de ler não psicólogos a escrever de psicologia visto que colocam muito mais da sua experiência pessoal, e eu acho isso enriquecedor.

obrigado pela sua opinião.

ANABELA VILELAS disse...

é muito dificil de superar estas situações só quem passa por elas é que sabe. estou a viver uma situação destas desde abril e já é a terceira vez que passo por isto a última foi á 6 anos.

ANABELA VILELAS disse...

ola

ANABELA VILELAS disse...

ola

Anónimo disse...

ola pessoal eu quero saber como combater fobia de anar de onibus e de metro