terça-feira, Outubro 16, 2012

A HISTÓRIA DE UMA GAIVOTA E DO GATO QUE A ENSINOU A VOAR


“Esta é a história do gato Zorbas. Um dia, uma formosa gaivota apanhada por uma maré negra de petróleo deixa ao cuidado dele, momentos antes de morrer, o ovo que acabara de pôr. Zorbas, que é um gato de palavra, cumprirá as duas promessas que faz nesse momento dramático: não só criará a pequena gaivota, como também a ensinará a voar. Tudo isto com a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello, dado que, como se verá, a tarefa não é fácil, sobretudo para um bando de gatos mais habituados a fazer frente à vida dura de um porto como o de Hamburgo do que a fazer de pais de uma cria de gaivota”

Ditosa, a pequena gaivota, apegada à sua nova família, não quer voar. Acha que se irão esquecer dela e quer ser um gato… Mais uma tarefa para Zorbas, que passo a citar:

“Tu és uma gaivota (…), gostamos de ti porque és uma gaivota (…). Não te contradissemos quando te ouvimos grasnar que és um gato, porque nos lisonjeia que queiras ser como nós; mas és diferente e gostamos que sejas diferente (…). Demos-te todo o nosso carinho sem nunca pensarmos em fazer de ti um gato (…). É bom que saibas que contigo aprendemos uma coisa que nos enche de orgulho: aprendemos a apreciar, a respeitar e a gostar de um ser diferente. É muito fácil aceitar e gostar dos que são iguais a nós, mas fazê-lo com alguém diferente é muito difícil (…)”.

Li há tempos esta história escrita por Luís Sepúlveda, uma delícia que se devora num instante, contendo várias mensagens implícitas. Uma das minhas preferidas é esta que citei.

Quantas vezes nos nossos relacionamentos, sejam de que tipo for, procuramos mudar o outro? E quantas vezes procuramos ser o que achamos que os outros querem que sejamos? Vale a pena refletir sobre a aceitação do próprio e do outro, sobre a complementaridade em vez da exclusividade.

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