
Um texto muito bem humorado com imensas dicas para... deixar de lado!
Leia aqui o texto "How to write consistently boring scientific literature"
Ideias às pinguinhas sobre psicologia, psicanálise e psicoterapias
Voto pelo Silêncio from Rui Pestana on Vimeo.
Os meios de comunicação social destacaram mais um caso de rapto, seguido de um longo período de cativeiro, que a vítima viveu com uma aparente tranquilidade.
Este fenómeno designa-se como Síndrome de Estocolmo.
Documentado pela primeira vez em 1973, aquando um assalto a uma agência dependência bancária em Estocolmo, onde durante seis dias os empregados foram mantidos nas instalações pelos assaltantes. Após a sua libertação e para estranheza de todos, estes empregados bancários em vez de incriminarem os seus opressores defenderam-nos.
Este comportamento sugere a existência de um mecanismo de sobrevivência físico e psicológico.
Entre as possíveis explicações para este síndrome, destaca-mos:
- a ligação ao agressor, mecanismo psicológico adaptativo que pode possibilitar a sobrevivência;
- a identificação com o agressor, mecanismo que aumenta a probabilidade de sobrevivência;
- e a ilusão de estabilidade e controlo, onde a ligação emocional ao agressor torna a situação vivenciada mais suportável.
No sentido inverso destacamos o Síndrome de Lima, onde os raptores ficaram gradualmente sensibilizados pela situação vivida pelos seus reféns.
As férias são normalmente um corte com a rotina do resto do ano. Nisso, são óptimas, mas tornam mais difícil o “regresso”, mesmo que não se tenha ido para lado nenhum (o que pode ser também uma forma de fazer férias). Também há quem tente fazer férias de si próprio, mas isso já exigiria uma elaboração que terá de ficar para outra vez. Tudo isto para dizer que, sim - já voltei.
Está a haver este ano um acréscimo de pedidos de aconselhamento profissional. A crise económica/social está aí, e não se irá embora tão depressa, por mais que os políticos em exercício gostem de dizer que o pior já passou. Os portugueses precisam de se requalificar, como se diz agora. Temos de aumentar e melhorar as nossas competências. Atrever-me-ia mesmo a dizer que só há uma saída possível: temos de transformar esta sociedade ainda em tantos aspectos atrasada numa sociedade do conhecimento, como escreveu recentemente o Prof. João Caraça.
Temos de saber fazer mais e melhor, e mais organizadamente, nas nossas várias actividades. Mais e melhores recursos de gestão, sim, mas também de vontade e de saber. Está nas mãos do estado torná-lo possível e nas mãos de todos nós fazê-lo. No fundo, tem a ver com a motivação. Temos de a encontrar dentro de nós, para nosso próprio bem.
A resiliência é a capacidade de enfrentar condições adversas com coragem e determinação e ser capaz de transformar um problema numa oportunidade.
A resiliência é uma capacidade que se pode desenvolver - como, é uma das questões que mais vêm à baila no decorrer do aconselhamento profissional. Temos de aprender a ser resilientes para que a força não nos falte nas fases menos propícias. Capacidade egóica por excelência, remete também para a construção do self e da identidade da pessoa. Um self forte, coeso, construído por acumulação de experiências gratificantes ou, pelo menos, que garantiram a aprendizagem com o erro, é meio caminho andado para se ser resiliente. É uma capacidade invejável mas que, repito, se pode adquirir ou melhorar.
Mas ser resiliente não é fazer como a avestruz e resistir à transformação e, por essa via, a resistir a melhorar o desmpenho. Tenho notado que há quem confunda melhorar o desempenho com "fazer a vontade" aos chefes. Donde terá nascido esta confusão, não sei dizer (embora a história sindical dê pistas para uma explicação), mas o que verifico é que ela é frequente e perniciosa. O primeiro que fica a perder é o trabalhador. A melhoria do desempenho, um aspecto fundamental do trabalho de qualquer pessoa, é algo de desejável porque também nos traz satisfação. è importante que retiremos prazer do que façamos, e possamos ser criativos. O trabalho, que nos ocupa tantas horas por dia, não pode ser uma fonte constante de desprazer e de mal-estar, sob pena de ficarmos psicologicamente enfraquecidos e mesmo deprimidos.
É preciso perceber que as relações laborais não são um jogo de soma zero. Ou seja, não há um que ganha e outro que perde. A satisfação com um trabalho bem feito é importante para a construção da nossa identidade (e auto-imagem) e contribui também para o melhor desempenho da empresa, devido ao aumento da produtividade e da competitividade. O melhor desempenho das empresas é assunto que não diz respeito apenas ao donos das empresas, mas a todos nós. O emprego é algo que começa a escassear e o problema não é apenas local, é global. No caso do nosso país, a situação é duplamente grave, porque se junta à crise internacional um péssimo índice de competitividade que é já estrutural.
O que acabei de escrever poderá não se aplicar ao fucionalismo público ou seja, a todos aqueles que não trabalham para empresas a actuar no mercado, mas para o Estado. Coisa curiosa, os conflitos laborais não são nesse caso menores, nem o mal-estar das pessoas. Já pensaram por que será?